Bom dia
(Source: stephenford, via rockdeboteco)
Voltei-me para ela; Capitu tinha os olhos no chão. Ergueu-os logo, devagar, e ficamos a olhar um para o outro… Confissão de crianças, tu valias bem duas ou três páginas, mas quero ser poupado. Em verdade, não falamos nada; o muro falou por nós. Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se. Não marquei a hora exata daquele gesto. Devia tê-la marcado; sinto a falta de uma nota escrita naquela mesma noite, e que eu poria aqui com os erros de ortografia que trouxesse, mas não traria nenhum, tal era a diferença entre o estudante e o adolescente. Conhecia as regras do escrever, sem suspeitar as do amar; tinha orgias de latim e era virgem de mulheres. Não soltamos as mãos, nem elas se deixaram cair de cansadas ou de esquecidas. Os olhos fitavam-se e desfitavam-se, e depois de vagarem ao perto, tornavam a meter-se uns pelos outros… Padre futuro, estava assim diante dela como de um altar, sendo uma das faces a Epístola e a outra o Evangelho. A boca podia ser o cálice, os lábios a patena. Faltava dizer a missa nova, por um latim que ninguém aprende, e é a língua católica dos homens. Não me tenhas por sacrílego, leitora minha devota; a limpeza da intenção lava o que puder haver menos curial no estilo. Estávamos ali com o céu em nós. As mãos, unindo os nervos, faziam das duas criaturas uma só, mas uma só criatura seráfica. Os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras de boca é que nem tentavam sair, tornavam ao coração caladas como vinham…
Machado de Assis (via dialetico-passarinho)
(Source: s-i-m-p-l-i-f-i-c-a-r, via dialetico-passarinho)
Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.
José Saramago (via 60milanos)
(Source: dimensaointerior, via 60milanos)
Você é aquilo que ninguém vê. Uma coleção de histórias, estórias, memórias, dores, delicias, pecados, bondades, tragédias, sucessos, sentimentos e pensamentos. Se definir é se limitar. Você é um eterno parênteses em aberto, enquanto sua eternidade durar.
Machado de Assis (via convulso)
(Source: machadices, via convulso)
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades muda-se o ser, muda-se a confiança, todo mundo é composto de mudança tomando sempre novas qualidades.
Camões (via 60milanos)
(Source: a-alienada, via 60milanos)
(via 60milanos)
Antes de amar-te, amor, nada era meu Vacilei pelas ruas e as coisas: Nada contava nem tinha nome: O mundo era do ar que esperava. E conheci salões cinzentos, Túneis habitados pela lua, Hangares cruéis que se despediam, Perguntas que insistiam na areia. Tudo estava vazio, morto e mudo, Caído, abandonado e decaído, Tudo era inalienavelmente alheio, Tudo era dos outros e de ninguém, Até que tua beleza e tua pobreza De dádivas encheram o outono.
Antes de amar-te, amor, nada era meu Vacilei pelas ruas e as coisas: Nada contava nem tinha nome: O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos, Túneis habitados pela lua, Hangares cruéis que se despediam, Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo, Caído, abandonado e decaído, Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém, Até que tua beleza e tua pobreza De dádivas encheram o outono.
(Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda)
(Source: irrealismo, via des-animo)
nunca vi seus olhos, mas sei que eles vão me salvar da cegueira total. porque parcialmente cega já sou. durante os dias de sol que troco por madrugadas sozinhas, onde imagino o quão profundas podem ser suas pupilas. idealizo como deve ser seu toque, e o timbre da sua voz cortando meus tímpanos e atingindo todo meu sistema nervoso. não me importaria em ter cada centímetro do meu corpo e pensamento invadido por sua presença a todo o momento. eu possuo terras que sua ambição poderia desbravar. tenho tesouros que não hesitaria em te entregar. tenho sonhos, que somente você pode realizar. sou colônia inóspita e abandonada, clamando por ser colonizada. já perdi o controle sobre quem sou. não possuo mais as rédeas da minha vida, e animal com cabresto tente a seguir a maioria. em terra de cego quem tem um olho é rei, e nas minhas tua vontade é lei. nenhuma droga me viciaria tanto. nenhuma tv me alienaria a esse ponto. você é a luz em meio aos escombros. você é a curva que a lágrima faz na face antes de atingir a linha da boca. porque se estou jogando a tristeza para fora, não a quero novamente dentro do meu organismo. é nisso que acredito. é disso que necessito. nunca vi os olhos que me causam tanto torpor. sequer te conheço ou já senti seu calor. mas você existe. isso basta. em algum lugar dessa galáxia. porque ontem, enquanto eu chorava por ter que suportar mais uma madrugada sem sua companhia, eu vi o reflexo dos seus olhos em uma estrela. e então eu soube, que de uma maneira ou de outra, eu te encontraria.
severinar (via severinar)
(via severinar)
Portanto, agora, ali estava eu. Sentado ouvindo a chuva. Se eu morresse agora, ninguém verteria uma lágrima em todo o mundo. Não que precisasse disso. Mas era estranho. Até onde um trouxa pode ficar solitário? Mas o mundo estava cheio de velhos rabugentos como eu. Sentados ouvindo a chuva e pensando para onde foi todo mundo. Aí é que a gente sabe que está velho, quando fica pensando para onde foi todo mundo.
Bukowski (via obsessao-urbanoide)
(Source: ovelhosafado, via entulhado)
Fecha os olhos e me deixa Chegar mais perto Tão perto das horas Tão perto das sobras. Fica bem quieto e me deixa Chegar mais desperto Tão desperto nas flores Tão desperto das cores Tuas flores em cores Múltiplas e fátuas. Cobre as pálpebras e me deixa Chegar mais aberto Tão aberto em cata-vento Tão aberto e sedento Tomando tento… bem lento. Comprime o ar e me deixa Te deixar respirar, incerto Tão incerto em excesso Tão incerto que espesso Em um gesto, o resto. Fecha os olhos e me deixa Chegar bem chegado, Tão chegado em detalhe Tão chegado que lhe entralhe, Tão chegado que me retalhe. Fecha os olhos.
Fecha os olhos, Charles Izzi (via chadeflor)
(Source: cafeteria103, via chadeflor)
Minha tattoo nova, representando o lindo poema “Bluebird” de CHARLES BUKOWSKI.
Não sinta.
Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas. Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas. A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas.
Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas.
As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas.
Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas.
A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas.
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
(Source: noordosmeusolhos, via bambeia)
Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre palhaço que por uma hora se espavora e se agita no palco, sem que depois seja ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muito barulho, que nada significa.
William Shakespeare
(Source: palaciodoexilio, via convulso)